sexta-feira, 4 de março de 2011

Burlesco e a arte da sedução

Burlesco: São Paulo ganha curso de sensualidade e bom-humor

Bom depois de um tepinho sem nenhuma postagem volto com um assunto muito interesante, o burlescos um das artes da sedução.... fique por dentro e boa leitura...


É verdade que mesmo nos Estados Unidos, onde se consolidou como entretenimento adulto, o burlesco ficou um bom tempo esquecido, substituído pelo striptease explícito e comercial no final da década de 1960, lembrado apenas por seu valor cômico até meados de 1990. Com a estréia de Burlesque, estrelado por Christina Aguilera e Cher, nesta sexta-feira (11), o estilo está em pauta, pelo menos até abril quando entra em cartaz Turnê, vencedor na categoria de Melhor Direção no último festival de Cannes e em que destacam as performances de Dirty Martini, Kitten on the Keys, Mimi Le Meux e Julie Atlas Muz interpretando a si mesmas.


E, felizmente pra quem gosta de vintage, o burlesco está na moda, provocando um aumento de eventos temáticos na noite de São Paulo.


Destaque para a interpretação de “A guy what takes his time”





As paredes são vermelhas

O grupo de mulheres que se reúne no começo da noite de uma quarta-feira na sala de aula pintada de vermelho do pequeno estúdio de dança ri, fofoca e se diverte. Entre comentários sobre o figurino da apresentação de sábado e do cotidiano de cada uma, elas quebram os quadris, sacodem os ombros e ensaiam movimentos insinuantes ao som de temas clássicos de blues e jazz. Trata-se de uma aula de burlesco, uma das primeiras num país onde o gênero ainda é novidade.



Alunas ensaiam coreografia de burlesco


De idades e tipos físicos variados, a maioria das alunas está ali para se divertir, e no processo, aprender a curtir o próprio corpo.
Lady Burly, nome burlesco de Shaide Halim, é a idealizadora do curso que começou em outubro de 2010 no estúdio onde também ministra aulas de balé, jazz e danças vintage. Segundo a professora de dança e coreógrafa, o burlesco não tem tradição no país. Conhecido em sua encarnação estadunidense, historicamente vulgar e debochada, o gênero tem muito a ganhar com o tempero brasileiro, acredita Shaide. “Basta formar público para o burlesque, já que quase ninguém conhece a dança e, quando você tenta explicar, as pessoas ainda acham que é um mero striptease, só entendem mesmo do que se trata quando presenciam um show”.






  Shaide Halim se inspira em Dirty Martini



A preferência da bailarina pela veia cômica do novo burlesco se torna evidente na apresentação das alunas, realizada no sábado (04), no Miquelina Bar. Buscando inspiração em nomes como Dirty Martini, Bettie Page e Tempest Storm, as performances apresentadas se alternam entre rápidas e divertidas, teatrais e mais clássicas e sensuais. Com figurinos garimpados ou feitos sob encomenda, as alunas e a professora se apresentam em pequenos eventos e festas. “São Paulo é uma cidade que não para e onde a mentalidade das pessoas é menos conservadora. Talvez por isso seja mais fácil criar o interesse”, explica Lady Burly.



Serviço: Estúdio de Dança Shaide Halim. Av. Lins de Vasconcelos, 2748, casa 1, Vila Mariana. Próximo ao metrô Vila Mariana. Tel.: 5083-0830 / 6449-3260 / 6686-4336. Aulas de dança burlesca: quartas às 19h e sábados às 15h.



Veja as fotos das performances das alunas de Lady Burly





Lady Burly fecha o showcase do C’est Vintage


Dos palcos para o boudoir



Introduzido nos Estados Unidos por volta de 1860 pela trupe de loiras britânicas de Lydia Thompson, o burlesco surgiu como a paródia de obras clássicas encenada por mulheres em roupas reveladoras, e em meados de 1920 o striptease passou a fazer parte dos espetáculos, que também incluíam números cômicos e musicais populares. As leis norte-americanas obrigavam as dançarinas a cobrir os mamilos de maneira evidente, criando o acessório mais icônico do estilo: o pastie (traduzido por alguns como mamileira), que pode ser girado para conseguir um efeito divertido.

Dirty Martini faz performance em homenagem a Zorita


Gyspy Rose Lee e Sally Rand criaram imagens que perduram no imaginário popular até os dias de hoje, se juntando às pin-ups como ícones clássicos. Bettie Page, Tempest Storm e Lili St. Cyr são alguns dos nomes mais bem conhecidos do gênero que entrou em declínio em 1960 e se refugiou em Las Vegas e Nova Orleans até que Dita Von Teese e Catherine D’lish, entre outras, encabeçassem o revival que se tornou o novo burlesco. Mais político e intelectualizado do que o original, o new burlesque abraça a todos os formatos de corpo e inclui artistas masculinos (boylesque), com maior presença em cidades como Londres, Paris, Nova York e São Francisco.



A autora do “The Burlesque Handbook”, Jo Weldon, explica que o que diferencia o burlesco do striptease são contexto, estilo, intenção e o relacionamento com a platéia. “Para dançar é necessário uma pitada de ousadia e deixar aflorar o mulherão que está em todas nós. Nosso principal crítico não está na platéia, e sim em cima do palco. Se queremos dançar, não dá pra ficar preocupada com os furinhos da celulite, com o que os outros vão achar. O burlesque não é só para modelos, e sim para mulheres comuns, que querem mostrar sua sensualidade e sua arte”, completa Shaide Halim. O glamour e o aspecto teatral atraem ao público feminino, que costuma ser maioria na platéia.



Quem quiser se aventurar neste brilhante e divertido universo pode estudar através de livros e de vídeos ou atender as aulas regulares do estúdio de dança. “Além da parte técnica, ainda vemos coisas como música e figurino, percepção do timing para desenvolver o show, como trabalhar com a questão da sensualidade, do humor, da criação de personagem, como lidar com o público, como romper as travas básicas que toda mulher tem, seja timidez, medo de expor o corpo ou de demonstrar sua sensualidade. É um processo divertido e prazeroso”, explica a professora.



Fonte: ://colunas.epocasp.globo.com/sexonacidade/2011/02/11/burlesco-dos-palcos-a-tela-do-cimema-e-a-sala-de-aula/

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