sábado, 16 de julho de 2011

O que rola nas casas de Swing

 
Boates em que rola sexo coletivo e troca de casais foram rebatizadas como "baladas liberais". E agora recebem também gente que só dança e dá uma espiadinha. Resultado: estão virando redutos jovens
Por: Ricky Hiraoka
Foto: Daniel Klajmic

fonte: GLOSS


Eles são jovens, bonitos e apaixonados. A estudante de nutrição Renata Pereira, 21 anos, e o promotor de eventos Davis Luiz, 30, namoram há dois anos e há seis meses dividem o mesmo teto. São como qualquer outro casal: saem com amigos, às vezes brigam e conversam até se entenderem. Mas têm um hobby que muita gente acha esquisito: frequentar casas de swing. Davis está convencido de que o troca-troca de casais ajuda a evitar a infidelidade. “A maioria dos homens trai por necessidade de transar com outras”, diz ele. “Isso não acontece comigo porque tudo o que eu quero fazer, faço, e na companhia da Renata.” A namorada concorda: “Experimentamos o sexo com outras pessoas juntos, então não é traição. Por outro lado, o swing só ajuda nossa vida sexual a melhorar”.


Davis e Renata representam um novo público das casas de swing: o de casais com menos de 30 anos. Um estudo realizado ao longo de 2007 pelo Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro comprovou que 36% dos clientes dessas casas animadíssimas enquadram-se nessa faixa etária.

Dono da boate erótica 2 a 2, do Rio de Janeiro, o empresário Marcos Entrenós (sim, esse é o nome artístico dele) confirma: “Até 2000, dificilmente se via jovens dessa idade por aqui”. E por que as coisas mudaram? Em parte, porque esses endereços trocaram de nome e de proposta. Hoje, são conhecidos como “baladas liberais” e incentivam a visita de gente que não topa sexo com estranhos. Como funcionam também como boates normais, eles agora recebem quem só quer dançar – e, de quebra, matar a curiosidade de ver como a coisa toda funciona.
 

Muito prazer
Se os redutos do swing mudaram, o comportamento do público também mudou. Segundo os especialistas, os jovens de 20 a 30 anos de hoje diferenciam-se dos do passado por supervalorizarem o prazer. O psicólogo especialista em sexualidade Paulo Tessarioli explica: “Essa geração cresceu numa época em que é normal ‘ficar’, sem culpa, e às vezes com mais de uma pessoa por noite. Muitas vezes, a situação pode se transformar facilmente em uma experiência de swing. E sem drama, porque a lógica que impera é a do prazer. Vale tudo em nome dele”.



Prazer coletivo sim, mas com todo o respeito! Explicando: para manterem-se como um ambiente “família”, as baladas liberais exigem que seus frequentadores cheguem como casal, e só valem as parcerias heterossexuais (mas os pares homossexuais femininos muitas vezes são tolerados). Um dos objetivos dessa tentativa de organizar a coisa é, entre outros, evitar a frequência de garotas de programa. Mas não é raro vê-las por lá. Dentro das casas, o mais comum é que um par convide uma segunda parceira para o sexo a três. Geralmente, reza a etiqueta da prática, a abordagem é feita de mulher para mulher. Elas fazem a proposta, sem a participação do homem. Como muitos caras gostam de observar a companheira transando com outro casal, o entendimento entre as duplas fica fácil.


Fidelidade máxima


E rola ciúme de ver os amados em braços alheios? Os swingers garantem que não. “Eu gosto de ver a Kelly sentindo prazer. Eu sinto também”, afirma o comerciante Reinaldo Santos, 29, casado com a cabeleireira Kelly Nascimento, 24. Ela demorou a acostumar-se com a ideia dessa espécie de socialismo erótico quando foi iniciada pelo marido, há quatro anos. “Na primeira vez eu não sabia como agir e só queria ficar olhando para o Reinaldo”, lembra. “Hoje um ensina para o outro. Entendi que o swing é o extremo da fidelidade, no sentido de que você não esconde nenhum desejo do parceiro.”

Antes de visitar uma balada liberal, a estudante de administração Letícia Rodrigues, 20, percebeu que escondia desejos sim – mas dela mesma. Ao pisar pela primeira vez na boate Nefertiti, em São Paulo, achou tudo meio esquisito, “selvagem” em próprias palavras, mas quis voltar lá. “Sou voyeur... É excitante! Sempre rola vontade de participar, mas não tenho coragem”, diz. Muitos dos jovens frequentadores das casas de swing agem assim. Especialista em relacionamento amoroso do Departamento de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Ailton Amélio alerta que encarar o sexo coletivo não é mesmo para qualquer um. “Só deve fazer quem dissocia sexo de afeto”, diz. O psicólogo Paulo Tessarioli completa: “Grosso modo, todos que são casados sabem que a monogamia é difícil. O que se propõe no swing é a quebra da exclusividade sexual, mas não da fidelidade afetiva. E abrir mão dessa exclusividade não é para todo mundo”.


As impressões do repórter


“Na primeira de minhas três visitas a casas de swing (duas ao Vogue Club e uma à Nefertiti, ambas de São Paulo), todas as ideias que tinha sobre esse mundo caíram por terra. As pessoas não andam peladas e não agarram você – a não ser que você queira e permita. Há uma parte que funciona como balada, com pista e bar, e outra, nos fundos do ambiente, onde o sexo corre solto. Nessa área, as transas acontecem em camas coletivas ou em pequenas cabines, que possuem buracos nas paredes para quem estiver do lado de fora pôr a mão. Algo no estilo mão na coisa, coisa na mão.Estar avisado de que coisas entram e saem dos buracos é importante – o risco é levar um pênis no olho ao tentar espiar por um deles. Minha colega levou um beliscão no bumbum ao aproximar-se de uma cama onde rolava uma transa com aproximadamente oito casais (fazer as contas no meio da confusão é difícil!). Se sua intenção for só espiar, mantenha uma distância segura do objeto de observação.”

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